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Entre
1650 e 1660, a grave crise do sal português que desabasteceu o
Brasil, chamou a atenção metropolitana para a cristalização
natural do produto na Lagoa de Araruama. Com esse impulso dado a
economia, um novo centro urbano era levantado junto a atual Praça
Porto Rocha: rasgou-se a rua direita (hoje Érico Coelho),
foram construídos a Igreja de Nossa Senhora da Assunção e o
sobrado da Câmara e da Cadeia, que formavam o Largo da Matriz,
onde fincou-se o Pelourinho.
Em
meados de 1660, cristalizaram-se as condições geo-políticas
para o retorno de investimentos à Cidade de Cabo Frio. Já em
1663, a administração volta a se reunificar na Bahia. José
Varella é reconduzido ao cargo de capitão-mor de Cabo Frio e,
pela primeira vez, nomeia-se um alcaide-mor para a cidade. O
novo governador do Rio de Janeiro tenta impedir a posse de José
Varella; o governador acaba sendo censurado a não se ingerir na
jurisdição dos Campos dos Goitacazes, pertencente a Cabo Frio.
A seguir, os beneditinos receberam uma sesmaria urbana dando
origem ao bairro de São Bento.
O
primeiro sinal da mudança para o novo centro urbano iniciou-se
em 1663. Os benedintinos, sempre bem informados passaram a
procurar avivar os marcos de sesmaria recebida na cidade de Cabo
Frio para a construção de um convento, em 1620, e dentro desta
área encontraram um forno para fabrico de cal entre outras
benfeitorias. Passado um ano depois, isto em 1664, pedem mais
terras para levantar as casas para os frades que vêm povoar a
cidade. É provável que a Igreja de Nossa Senhora da Assunção
ainda não estivesse com a sua construção concluída, pois
somente pela carta real de fevereiro de 1666 o vigário Bento de
Figueiredo veio assumir suas funções. (Igreja
Matriz Nossa Senhora da Assunção)
Como
os beneditinos não edificaram as casas para o povoamento
conforme comprometeram-se, a Câmara retoma as terras. Em 1667
argumentavam que a cidade somente naquela época começava a
povoar-se e assim pediram uma porção de terras com 18 braças
na rua Direita para que fosse levantada a edificação para uso
da Câmara.
Trinta
anos depois, em 1696, os franciscanos inauguraram o Convento
de Nossa Senhora dos Anjos, próximo a Fonte do Itajuru,
consolidando o perímetro histórico do novo centro
administrativo, religioso e colonial. Já no final do século
XVII, o desenvolvimento urbano de Cabo Frio novamente estancou.
Basicamente por dois motivos: a aldeia de índios de São Pedro,
sob jurisdição dos jesuítas e com população de dois mil
habitantes não conseguia mais impedir desembarques de inimigos
em Búzios e, por isso, a exploração das salinas naturais,
primeira e maior riqueza dos colonizadores, foi terminantemente proibida. (Convento
Nossa Senhora dos Anjos)
No entanto, essa ordem não
foi cumprida levando ao tráfico do produto marinho. A Câmara
passou então a arrendar as praias do Cabo e em Búzios. Foram
construídos dois engenhos para a produção de aguardente em
Araruama e erguida, pelos jesuítas, a Fazenda Campos Novos,
futuro estabelecimento agropecuário modelo e foco importante de
colonização do atual Distrito de Tamoios. Inicialmente, a
fazenda foi destinada a criação de gado para o abastecimento
de açougues cariocas e de lavras de ouro das Minas Gerais.
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