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A captura e a salga do pescado e
do camarão mantiveram-se estáveis, da mesma forma que a
manufatura de telhas, tijolos e taboados. O surgimento da construção
naval e da indústria de cal (feita com conchas da lagoa) abriram
novas perspectivas econômicas regionais. A abolição da
escravatura em 1888 e a conseqüente proclamação da República
no ano seguinte, desorganizou algumas atividades produtivas de
Cabo Frio, como agricultura do café que viu-se substituída pela
pecuária em pequena escala.
Os ex-escravos da zona rural
reagruparam-se e fundaram uma povoação na Praia Rasa, em Búzios,
passando a trabalhar na pesca e na horticultura próprias, enquanto
os escravos da Cidade de Cabo Frio tomaram posse e fundaram a povoação
da Abissínia, que mais tarde deu origem ao atual bairro da Vila
Nova, trabalhando no fornecimento de carvão vegetal aos antigos senhores.
A produção do sal era o mais
notável recurso da região, entretanto, não foi afetada. Há
alguns anos se fizera a substituição do braço escravo pelos
imigrantes portugueses do Aveiro, que trouxeram e adaptaram técnicas
artesanais consagradas, resultando no aumento da qualidade e
quantidade de cristalização marinha artificial de Araruama.
Embora a atividade pesqueira
continuasse competitiva, em especial depois da introdução das
traineiras na captura em alto-mar, até pouco mais de metade do século
XX, o parque salineiro de Araruama dominou a produção econômica
regional, cujos reflexos urbanos foram a instalação do
aparelhado Hospital Santa Izabel e a atração da iniciativa
privada para exploração do sistema de energia elétrica na
cidade.
A ferrovia Niterói-Cabo Frio,
as melhorias no porto do Arraial do Cabo e a posterior inauguração
da Rodovia Amaral Peixoto contribuíram para o aumento da produção
do sal e para o transporte eficiente até a capital da República
e outros importantes centros consumidores do país. O auge do
desenvolvimento setorial ocorreu na década de 60, com a instalação
de duas grandes usinas de beneficiiamento de sal em Cabo Frio, e
com a construção do conplexo industrial da Cia. Nacional de Álcalis,
no Arraial do Cabo, que abriu salinas e passou a extrair conchas
na lagoa para produção de barrilhas.
A crescente industrialização
do município atraiu numerosos trabalhadores brasileiros e que deu
origem ao novo bairro de São Cristóvão. Alberto Lamego,
em seu livro "O Homem e a Restinga", analisa as tendências
e as predileções dos habitantes da região, retratando, assim,
as suas paixões profissionais, em que a pesca tem acentuada
predominância, por ser justamente uma das principais riquezas da
região, haja vista a incrementação do turismo em função da pesca
como esporte.
As matas e capões dos areais
fornecem excelente carvão de madeira. A restinga adapta-se
favoravelmente à agricultura, cuja produção principal é
incipiente ainda, atendendo apenas ao consumo local; assim a pecuária,
devido a sua essência, presta-se magnificamente a produtos bons e
resistentes.
Quanto ao campo mineral existem
produtos naturais de grande valor econômico como os calcários, o
sal entre outros. Constata-se abundância de areia própria para
ser empregada no fabrico de porcelana e vidros finos,
destacando-se a monazita, de ocorrência comum na região. A
grande riqueza mineral de Cabo Frio foi inquestionavelmente, o
sal. |